Lúcia pára no sinal.
Algo lhe chama atenção.
Sentado no meio fio, um rapaz cuja aparência, causa certo mal estar. Pena, angústia... não sabe definir aquele sentimento.
Apenas sabe que é horrível !...
Claro, mais ou menos vinte anos, cabelos louros...não consegue identificar exatamente a cor, mascarada por um misto de sujeira com a cor natural, endurecidos e opacos, umas trancinhas no alto da cabeça. Uma garrafinha vazia ao lado parece ser sua única companheira.
Os olhos inchados, muito vermelhos, fixados num vazio onde a tristeza reside em sua plenitude.
No pequeno espaço de tempo, Lúcia consegue ter uma visão panorâmica da situação precária daquele "ser humano".
Ninguém , ninguém mesmo se incomoda com aquele andarilho.
Não há lugar para tomar banho, nem para as necessidades fisiológicas.
Sem agasalho, encolhidinho espera...
Como? Que esperança tem aquele indivíduo?
Aí Lúcia chora. Chora, porque tantas vezes lamentou a falta de coisas banais, supérfluas e, neste momento, é surpreendida por outro sentimento: Vergonha, arrependimento de atitudes mesquinhas. Começa a agradecer a Deus.
Reconhece ter vida de rainha. Se pergunta o que falta para ser uma pessoa feliz.
Chega a conclusão de que é a pessoa mais feliz deste mundo !...
Tudo o que tem , é muito mais do falta em tantas pessoas sem nome, espalhadas pelo mundo!
quinta-feira, 5 de junho de 2008
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